Lara Teixeira e Nayara Figueira estão com 23 anos e se conhecem há dez, desde
juvenis. Formam o dueto que representa o Brasil, na equipe de nado sincronizado,
desde 2007, e estão treinando intensamente para os Jogos Pan-Americanos de
Guadalajara, em outubro.
“Sequinhas”, como manda a modalidade, e muito
fortes, como exigem as coreografias mais atuais, chegam à beira da piscina com
corpo ereto, queixo altivo, sorriso estampado e um jogo de ombros – o único
permitido na postura elegante. Nada de "reboladas".
A postura de total
confiança faz parte do aspecto artístico que também será julgado pelos juízes na
apresentação das meninas.
Por trás do sorriso
Atrás disso... Lara sofre com o ombro. Nayara, com a virilha, o
joelho... São movimentos repetitivos e, mesmo dentro da água, as dores são
constantes e a raiva às vezes ronda a disposição.
- Raiva, dor? Temos,
sim! Sempre! Tudo isso e mais um pouco...
As duas riem enquanto quase
emendam as frases. Acompanham o pensamento de uma e de outra como se também
seguissem uma coreografia falada.
Muito simpáticas, confessam que
ficaram um pouco abatidas com o Mundial de Desportos Aquáticos de Xangai, em
julho.
Lara:
- Acho que nossa expectativa estava acima da
realidade.
Nayara:
- Estávamos esperando passar por alguns
países... e não passamos...
Quais?
- Estados Unidos, Inglaterra,
Grécia. A gente já tinha passado por eles. Mas em Mundial antes de Olimpíada,
elas estavam muito fortes.
"Up" canadense Por
isso, a vinda da canadense Leslie Sproule, que agora é consultora, para 15 dias
de treinos ao lado da técnica Andrea Cury, no Clube Paineiras do Morumby, deu
“um up” na definição de Nayara.
- É o método do Canadá, a didática, o
reforço positivo. Ela diz que “está melhor, mas falta fazer isto”... É um
treinamento diferente. Mas foi bom, para sabermos que podemos fazer mais.
Lara reforça que talvez as duas achassem que não podiam fazer melhor do
que estavam fazendo, mas viram que é possível crescer.
- Também ajudou,
sim, na parte emocional.
Atrás do melhor As
duas disseram que assistiram a vídeos, identificando os pontos melhores das
adversárias.
Lara:
- Claro que pensamos em ouro.
Nayara:
- Mesmo porque tudo pode acontecer.
Lara:
- Mas temos os
pés no chão com relação ao Canadá. Elas estão em um nível acima, desde 2008.
Nayara:
- Mas os Estados Unidos... Já passamos por elas em
campeonatos. É possível, sim, ficar com a prata no Pan.
As duas
concordam que as canadenses querem mais é que as brasileiras passem as
norte-americanas. E ainda lembram que essas adversárias terão a pressão de
defender a medalha de prata conquistada no pan do Rio de Janeiro-2007, o que
pode pesar.
"Espelho" uma da outra Sobre a
parte artística, é preciso combinar cabelo e maquiagem (cada uma faz a sua, mas
olhando uma à outra, para ficar o mais parecido possível) com maiô – no Mundial
e no Pan são de estampa assinada pelo artista plástico Romero Brito
(“...disseram que ele é até mais conhecido no México do que no Brasil!”)
Lara:
- A gente leva uma meia hora para cabelo e maquiagem (à
prova d’água, claro). Faz o aquecimento na água e depois se arruma.
Nayara:
- Tem de ficar o mais alegre... É tudo muito plástico. E
música que o público gosta, energia boa. A sintonia ajuda o atleta...
Nara:
- Temos sempre de mostrar confiança. É um teatro... E tudo
para envolver o juiz!
As garotas do dueto viajam em 9 de outubro, para
as competições do nado sincronizado (também fazem parte da apresentação da
equipe) que serão de 18 a 21.
A Rede Record transmitirá os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara
com exclusividade para a televisão aberta, ao lado da Record News. O R7 terá
transmissões ao vivo das competições e uma cobertura completa dos eventos.
A emissora também mostrará a Olimpíada de Londres-2012 com exclusividade
na TV aberta brasileira, e também pela internet. A Record detém ainda os
direitos de transmissão dos Jogos Pan-Americanos de Toronto-2015 e da Olimpíada
do Rio de Janeiro-2016.