O Comitê Olímpico Brasileiro ainda dá as cartas, mas no Pan-Americano de Guadalajara, o poder paralelo do esporte verde-amarelo terá seu primeiro teste. Os jogos mexicanos serão o primeiro grande evento em que modalidades vão competir turbinadas por dinheiro da iniciativa privada que não passou pelas mãos do COB.
Outra iniciativa é o LiveWright, um movimento de grandes empresários para investimento na criação de centros de treinamento para o esporte brasileiro. A entidade já investe na ginástica e tem braços no tênis, na luta olímpica e no ciclismo. No mesmo molde, o grupo Lide, de João Dória Junior, também lançou um projeto esportivo, baseado no apoio ao atletismo e ao tênis.
Em 2011, o Brasil viu surgir três grandes iniciativas que, indiretamente, iniciaram um processo de descentralização do dinheiro e, consequentemente, do poder no esporte olímpico nacional. A maior dessas iniciativas é da Petrobras, em parceria com o Instituto Passe de Mágica, criado pela ex-jogadora de basquete Magic Paula. A estatal patrocina projetos de cinco esportes: boxe, esgrima, remo, taekwondo e levantamento de peso.
Em comum, as três iniciativas usam dinheiro da Lei de Incentivo ao Esporte, criada em 2007. Em seu primeiro ciclo pan-americano (2007 a 2011), já foram investidos R$ 498 milhões (incluindo iniciativas fora do esporte olímpico). Como comparação, a Lei Agnelo-Piva, no mesmo período, gerou R$ 430 milhões ao COB, investidos na própria entidade, nas confederações e nos esportes escolar e universitário.
E os resultados já começaram a aparecer. Em 2011, remo, atletismo e boxe conquistaram inéditas medalhas de ouro em campeonatos mundiais.
VOLTA À REALIDADE
Não bastasse o poder paralelo, o COB ainda tem de lidar com a previsível diminuição no número de medalhas conquistadas pela delegação brasileira. No Rio-2007, em casa, o Brasil chegou a 157 medalhas, 52 de ouro, e terminou na terceira posição no quadro geral de medalhas. Para 2011, além de EUA e Cuba, os brasileiros terão de se preocupar com Canadá e com o México.
Mesmo com a maior delegação que já defendeu o Brasil em um evento fora do país (519 atletas), os dirigentes são rápidos ao negar comparações com o desempenho de 2007. “Temos de deixar claro que o objetivo não é superar o que fizemos no Rio. Nosso objetivo aqui em Guadalajara é bem claro: conquistar as vagas olímpicas. São duas situações bem diferentes”, diz o superintendente do COB, Marcus Vinícius Freire.
FURACÃO, TRÂNSITO, VIOLÊNCIA...
Não bastasse as obras finalizadas horas antes da competição, Guadalajara ainda tem problemas que fogem ao controle da organização. Nos últimos dias, uma tempestade tropical atingiu o litoral mexicano e causou chuva e frio na cidade. Os problemas foram tão grandes que a organização chegou a cogitar adiar a abertura.
Além disso, o trânsito na cidade é caótico e as faixas exclusivas para os veículos credenciados do Pan só pioram a situação. Na semana do Pan, com o sistema de transportes oficial já funcionando, trajetos que em situações normais duravam menos de 30 minutos eram feitos em quase uma hora.
Contra a violência, a solução mexicana foi usar o policiamento ostensivo. Nas ruas que cercam as instalações esportivas, rondas em grandes caminhonetes armadas com metralhadoras são constantes. A taxa de violência do México está entre as mais altas do continente e a cidade de Guadalajara é sede dos dois maiores cartéis de narcotráfico do país.




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