Brasil e Cuba? Faíscas na rede. E quem começou com essa rivalidade entre as históricas adversárias do vôlei? O técnico Bernardo Rezende, o Bernardinho, em seu primeiro ano no comando da seleção brasileira feminina, em 1994. “Vocês não podem ser amiguinhas delas”, disse às jogadoras. “E ele tinha toda razão!”, observa Ida, uma das melhores meios de rede do mundo, hoje trabalhando com projetos sociais ligados a esporte e música.
As duas seleções sempre foram amigas – a rivalidade do início dos anos 1990 era com as peruanas.
Em competições, as brasileiras ajudavam as cubanas, que tinham dificuldade para conseuir coisas básicas – usavam rolos de papel higiênico com bobis, para arrumar o cabelo. As brasileiras compravam joelheiras para dar a elas, trocavam por charutos, que era o que as rivais tinha, davam esmaltes, maquiagem... Mas, na quadra, não ganhavam dessas rivais.
Um racha no segundo GP
Até que chegou Bernardinho em 1994, como Ida conta.
O Mundial daquele ano, por exemplo, com final disputada no Ibirapuera, em São Paulo, teve Cuba como campeão e o Brasil como vice.
- Lembro que elas jogaram já com o cabelo todo arrumado, porque iam sair da quadra para comemorar...
Aquela seleção cubana realmente tinha grandes jogadoras, como as meios de rede Regla Torres (que já tinha meios de jogar com lentes de contato verdes) e Magaly Carbajal, verdadeiros “muros”.
Foi quando Bernardinho decidiu proibir sua jogadoras de falar com as cubanas nos hotéis, pelo menos antes dos jogos, conta Ida.
- Ele disse: ‘Não quero que vocês sejam amiguinhas delas. Podem falar depois, mas antes não. Elas querem ganhar e vocês têm de se fazer respeitar’. E ele tinha toda razão.
Lá e cá
No encontro seguinte, quando as cubanas chegaram animadas, as brasileiras “não deram bola”, lembra Ida.
- A Márcia Fu até fez um gesto com a mão, significando que não podia falar. Mas elas ficaram muito bravas!
A rivalidade, hoje, continua a ex-jogadora, não é tão forte.
- Aquilo foi rivalidade de uma geração. Porque a gente começou a incomodar Cuba, a fazer frente para elas. Elas ganharam o primeiro Grand Prix da Ásia, em 1993, mas em 1994 nós ganhamos, em Xangai. Aí, elas disseram: ‘Vocês ganharam aqui, mas vão tomar em casa'.
E foi o que aconteceu, no Mundial disputado em São Paulo, em 1994.
Atravessando a rua
A rixa foi tomando proporções, a ponto de, na Vila Olímpica, uma mudava de calçada se via uma rival vindo em sua direção. E culminou na semifinal da Olimpíada de Atlenta-1996, quando as cubanas venceram a o tumulto iniciado no fim da partida na quadra virou briga no corredor do vestiário.
- A gente sabia que não podia provocar, cutucar a onça com vara curta. E combinamos de ficarmos na nossa, passivas. Mas aí, com 2 sets a 0, elas provocaram! E justamente a Fu e a Ana Paula.
Depois do Peru e de Cuba, as brasileiras do vôlei tiveram outros períodos de rivalidade, com a Rússia, por exemplo.
- As rixas sempre começam quando uma seleção começa a fazer frente para a outra. Hoje não sei se a seleção tem alguma rivalidade mais forte. Contra Cuba, por ser, mas com certeza é bem menos do que já foi...
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