Há um ano, a tenista pernambucana Teliana Pereira
não imaginaria que nesta quinta-feira estaria embarcando para Guadalajara, no
México, onde disputará seu segundo Pan-Americano. Teliana sofreu um problema grave no
joelho direito em abril de 2009, teve de passar por duas cirurgias e só em junho
de 2010 conseguiu voltar a jogar.
A tenista caiu muitas posições no ranking. Terminou
a temporada 2010 na 540ª posição, mas se recuperou nesta temporada. Com dois
títulos - no Challenger de Denain, na França, e no Future de Metepec, no México
-, ela hoje ocupa a 315ª colocação, sendo a terceira melhor brasileira no
ranking da WTA (Associação do Tênis Feminino). Os bons resultados a colocaram em
seu segundo Pan. Quatro anos atrás, ao lado de Joana Cortez, Teliana conquistou
a medalha de bronze nas duplas (). Em Guadalajara, ela deve formar a parceria
com Ana Clara Duarte.
Leia também: Inexpressivo no circuito, tênis feminino do Brasil vai bem no Pan
"Foi uma fase difícil, mas jamais pensei em desistir", contou Teliana, uma
atleta que definitivamente está acostumada a superar obstáculos. Ela nasceu no
sertão nordestino, na cidade de Águas Belas, e não imaginava que um dia ganharia
a vida jogando tênis. Seu pai, um ex-boia-fria, se mudou para Curitiba e começou
a trabalhar em uma academia de tênis. Teliana e seus irmãos foram pegadores de
bolas dos alunos da academia, mas jogavam tênis quando tinham um tempo livre e
arrumavam uma raquete emprestada. Foi então que o francês Didier Rayon, dono do
lugar, percebeu que a menina levava jeito para o esporte.Leia também: Inexpressivo no circuito, tênis feminino do Brasil vai bem no Pan
A melhor posição de Teliana no ranking mundial foi o
196º lugar, em 2007. Aos 23 anos, ela sonha em ir mais longe. "A curto prazo,
quero voltar a ficar entre as 200 melhores do mundo e jogar os grandes torneios
como os Grand Slams (os quatro principais da modalidade)", disse. Para buscar
essa evolução, Teliana está treinando na academia de Larri Passos, ex-treinador
de Gustavo Kuerten e hoje de Thomaz Bellucci. "A estrutura é muito boa. Lá
temos tudo o que precisamos", contou Teliana, que mora com o irmão, o também
tenista José Pereira.
Por causa da vida de tenista profissional, Teliana não visita os avós, tios e
primos que ainda vivem em Águas Belas desde 2007. Quem sabe, com mais uma
medalha pan-americana, ela não arranje um tempinho para matar as saudades.
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